Oxalá sempre muito vaidoso andava com seu nariz bem erguido, o mais alto que pudesse alcançar no céu. A cada bom passo dado, a cada atitude altruísta, o seu ego não se continha e subia mais dois degraus, era um passo de bondade para dois passos de ampliação de seu próprio ego.
Por toda savana ele estava a caminhar... E lá vinha Oxalá, com seu manto branco e sua pureza nos olhos, lá vinha Oxalá com toda bondade para distribuir... Mas à medida que a sua bondade aumentava, o seu ego aumentava também... Poxa, e como é difícil cuidar do ego quando ele toma conta do ser... Oxalá não imaginava o que poderia lhe ocorrer...
Acompanhando o leito do rio, Oxalá seguiu a caminho do mar. Chegou montado em sua prepotência, querendo montar por cima das brumas que ornavam o oceano. Achou que assim, por ter chegado tão alto, conseguiria domar aquela força dentro de seus preceitos tão enaltecidos. A beira-mar, Oxalá tão oponente se apresentava gigante de tão inchado, tão grande quanto seu próprio ego. Seu manto branco brilhava como nunca havia brilhado e, ao refletir a luz do Sol, Oxalá se sentiu confiante o suficiente para bradar sua tentativa de tiranizar a criatura que vinha nas brumas do mar.
Em direção às ondas do mar, ele deu um passo firme e pisou com tamanha força que, ao primeiro instante, as ondas se retraíram. Muito intensamente, se recolheram ao fundo do mar e assim Oxalá estufou o peito como se assim provasse sua superioridade.
O mar se retraiu, se recolheu, se encolheu sim, mas seu silêncio foi se tornando assustador. Na mesma intensidade que Iemanja retraiu suas ondas, ela voltou, em forma de tsunami, voltou com a fúria de uma mulher guerreira e com a força que só uma mãe tem sobre seu filho. Iemanja derrubou Oxalá com um único golpe: uma única onda que engoliu por completo o ego do grande orixá.
Nota para vida:
"Não enaltecer em demasiado,
Quem não sabe manter aliado."
Texto e nota de 02/06/2016